fuga

2019

 

xilogravura produzida durante a residência/expedição

"interconexões ou + arte em diálogo" em La Havana, Cuba.

Projeto organizado e idealizado por Fabricio Reiner de Andrade, Luiz Armando Bagolin e Andrés Inocente Martín Hernández.

 

fuga

 

Há um tempo acompanho a produção artística de Edu Silva e como parte deste processo inclui-lo na Residência/Expedição que em março/abril de 2019 desembarcou em Havana, para durante a XIII Bienal de Havana, aprofundar pesquisa/desafio perante uma nova realidade cultural e social.

 

A atividade central foi desenvolvida no Taller Experimental de Gravado de La Habana, referência nacional e internacional em gravura (excluindo a serigrafia).

 

Um dos objetivos do projeto era precisamente o contato com a realidade de Havana e as possíveis relações dos artistas com a história cubana.

 

Edu Silva constrói pela primeira vez manifestos visuais no suporte gravura, litografia e xilografia. Assim as obras de arte emergem com resultado deste trabalho.

 

Em Fuga, o artista sugere um leque de interpretações para uma realidade local e global. O pequeno remo, elemento simbólico que reconhece uma particular realidade local, aquela que pode ser associada metaforicamente a uma solução do que escritor Virgílio Piñera destacou como a maldita circunstância da água por todos lados e que os artistas cubanos sobretudo da geração dos anos de 1990, atrelados as mudanças políticas e econômicas

patentearam em suas obras de arte: Tonel, Sandra Ramos, Kcho, Los Carpinteiros, ...

 

Assim Silva esvaziou o conteúdo cromático do remo e o coloca numa massa vermelha para sugerir leituras com uma carga simbólica poderosa que ultrapassa, mesmo que acentua, os contornos geográficos da realidade cubana. Ver no Brasil o vermelho e o movimento do remo!

 

Ao mesmo tempo a gramatura compositiva dos três elementos centrais da obra de arte remetem a um desgaste na precariedade bidimensional da composição reforçando a diluição dos elementos formais e reforçando as qualidades interpretativas do conjunto: 

o remo disforme corroído pela massa vermelha compacta na luta pela diluição da rigidez em um suporte branco delineado que sugere uma representação quase teatral.  O remo danificado pode remeter a um outro extremo da realidade, aquela da insistência e dos desejos de impermanência. 

 

Assim sendo, Silva ultrapassa com sua proposta a literalidade de uma realidade para articular conceito, tempo e espaço para um e no display contemporâneo. 

 

 

Doutor Andrés I. M. Hernández, 2019

© edu silva

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